Chapada Diamantina: 4 dias de conexão, ecoturismo e muita paz

Sobre viagens que renovam nossas energias e a sábia decisão pela Chapada Diamantina:

Eu estava com uma enorme vontade de conhecer um lugar que sempre quis, na companhia da minha irmã mais velha e da professora da época da escola que sempre admirei (que não por acaso, é a Liniana Liao). O contato com a natureza era tudo que precisava para repensar a vida, fazer planos e começar 2017 com o pé direito.

De Salvador a Lençóis

Logo que saímos do aeroporto de Salvador, fiquei admirada com o bambuzal que ia de um lado a outro da pista formando um telhado de bambus.

Depois, de Salvador a Lençóis, nos deparamos com uma estrada melhor do que imaginei que fôssemos encontrar, e um contato constante com a paisagem seca do sertão nordestino.

Chegamos a Lençóis já à noitinha, fomos conhecer a cidade e comer algo. Demos de cara com a igrejinha, como num sinal de benção e boas vindas para nossa viagem, que sem dúvida foi abençoada com pessoas bacanas, alegria constante, sorriso farto e leveza da alma.

 

igreja chapada diamantina   cidade lençois

 

O território da Chapada Diamantina – BA abrange uma área de 30.921,00 Km2, sendo composto por 24 municípios diferentes. Ou seja, é muito chão, muitos lugares para conhecer, e a certeza de que é um lugar a se retornar.

Primeiro dia de aventuras na Chapada Diamantina

No primeiro dia de passeios, fomos ao marco que representa o centro geográfico da Bahia, “Marco Zero”. O visual que tinha ao seu entorno era de tirar o fôlego: O Vale dos Três Irmãos de um lado, o Morro de Pai Inácio de outro, com vista para a Serra dos Brejões, ambos localizados no município de Palmeiras.

 

pai inacio

 

O desafio era experimentar aquela aventura de maneira única, de sentir o lugar e viver intensamente cada segundo. Foi ali, me deparando com uma imensidão vasta de natureza, que entendi o que é o espírito aventureiro.

Vivi vários momentos de silêncio e conexão, sendo inspirada pelo desconhecido.

A Gruta da Lapa Doce

A gruta é localizada no município de Iraquara e é considerada a terceira maior gruta do Brasil. Lapa Doce possui 17 quilômetros mapeados, porém, somente 850 metros estão abertos para visita.

Antes de começarmos a aventura dentro da gruta vimos muita palma, cactos típicos da região, que inclusive fez parte do nosso cardápio do almoço. Uma delicia. Vale experimentar.

O passeio por dentro da gruta foi incrível. Com quase 1 km de extensão, ela é ampla, com várias esculturas, formadas pelas estalactites e estalagmites, durante milhares de anos.

Gruta da Lapa Doce

 

Descobrir o que cada escultura parecia virou diversão, quase como de criança que tenta dar forma aos desenhos das nuvens.Um passeio guiado, com lanternas, que quando apagadas não davam sensação de medo, muito ao contrario, era apenas silencio, ar puro, mente leve, energia boa vinda da natureza…

Essa experiência foi um caminho de autoconhecimento. Conhecer os meus limites diante de tantas aventuras, me fez despertar e refletir sobre a minha liberdade. Percebi que fugir da rotina contempla uma coragem surpreendente.

 

A Gruta da Pratinha

Localizada na fazenda da pratinha, no município de Iraquara. Um lugar incrível, uma água cristalina, onde era possível mergulhar de snorkel, tirar fotos embaixo d’água, andar de tirolesa ou apenas sentar e admirar todo o visual, que era fascinante.

pratinha

gruta da pratinha chapada diamantina

Uma das coisas que mais me chamou a atenção era que de um ponto turístico a outro havia certa distância, tendo em vista a imensidão do lugar.  E ao nos depararmos com tantas grutas de água cristalina, era difícil crer que do lado de fora havia tanta seca, um verdadeiro contraste

gruta da pratinha

 

O Morro do Pai Inácio

Para chegar ao topo trilhamos por uma subida íngreme de 300 metros. A 1.120 metros de altitude, o Morro do Pai Inácio possui um visual deslumbrante da região, de tirar o fôlego que sobrou da trilha!

Difícil descrever a sensação de experimentar essa energia. Estar em contato com estes lugares encantadores me fez sentir viva.

Morro do Pai Inácio

 

Segundo dia de aventuras na Chapada Diamantina

No nosso segundo dia na Chapada, fiquei de queixo caído com um dos lugares mais bonitos que já conheci:

O Poço Azul, no município de Redenção

Uma gruta com água azul turquesa, transparente, que dá para ver o fundo com uma nitidez surpreendente.

poçoazulchapadadiamantina

Um pouco distante de Lençóis, fomos um dos primeiros grupos a chegar à fazenda que tem este poço. Isso foi um diferencial, porque os grupos que podem descer até o poço são pequenos, e tem 15 minutos para ficar lá embaixo. Perde-se cerca de 30 minutos neste processo de chegar à gruta, colocar coletes, mergulhar e depois retornar.

Ou seja, poderíamos ficar muitas horas esperando por este momento e perderíamos parte do dia. Como chegamos cedinho, fomos os primeiros a descer, o que fez toda a diferença.

poço azul estrela

poço azul

 

A cidadezinha Mucugê

Partimos depois para a cidade de Mucugê, uma cidade típica de interior com seu coreto, igreja e pequeno comércio, com uma particularidade, um cemitério bizantino. Uma graça de lugar.

Parecia cenário de novela, uma Bahia interiorana, um povo simples, gentil e educado. Uma vontade de ficar mais tempo e vivenciar mais do dia a dia de uma cidade pacata. Tão diferente da agitação de uma grande cidade…

 

A cidadezinha de Xique Xique de Igatu

Tão surpreendente quanto Mucugê, foi Xique Xique de Igatu. Uma cidade mínima, com menos de 500 habitantes, numa área onde houve muita exploração de diamante, a terra do garimpo.

Um lugar isolado, também com uma igreja e cemitério bizantino. Mas, apesar de ser a menor cidade que vistamos, foi a que particularmente mais me tocou.

Um lugar no meio do nada, onde algum se dispôs a montar a galeria Arte da Memória, expondo ali obras feitas com restos de madeiras abandonadas desde a época do garimpo, que restauradas deram formato a expressão do olhar do artista.

xique xique de igatu

Um dos momentos mais marcantes da viagem foi nesta galeria. Ver uma moça que nos guiava com orgulho de ser dali, e de poder mostrar parte da sua história. Feliz por ter tido na sua vida um professor que insistia no estudo, para ver seus alunos prosperarem e seguirem uma profissão.

E me emocionei, porque fui me lembrando do quanto minha professora de matemática, que estava ali comigo naquela viagem, fez durante sua carreira no magistério. Muito mais que apenas lecionar, ela ajudou e orientou muito seus alunos. Fez muito mais que ensinar matemática. Foi educadora.

E eu estava ali, mais de 20 anos depois, como sua ex-aluna, me sentindo tão feliz e plena por aquele momento tão particular na minha vida, uma viagem que me fez resgatar parte da menina daquela época.

Terceiro dia de aventuras na Chapada Diamantina

No nosso ultimo dia de passeios, nos despedidos da região da Chapada com mergulhos em Mucugêzinho e Poço do Diabo.

cachoeira mucugezinho

cachoeira mucuge

 

Ao final do dia, passeamos no salão de areias coloridas. Lá era possível ver varias tonalidades diferentes de areia, que serviram durante anos de matéria prima para o artesanato local. Aquelas garrafinhas incríveis que vemos vendendo pelo nordeste é feita com desenhos de areia colorida.

salao areia

Quarto e último dia na Chapada Diamantina

No nosso último dia, acordamos bem cedo para arrumar as coisas e partir de Lençóis a Salvador. Almoçamos na capital da Bahia e pegamos nosso avião de volta ao Rio de Janeiro. O sentimento de alegria e a certeza de que a Chapada Diamantina é um destino que vale a pena voltar. É um dos lugares mais deslumbrantes de ecoturismo desse nosso Brasil!

E a última foto resume o quanto nossa viagem foi boa: sorrisos; alegria e vontade de voltar. Deu tudo certo. Juntamos numa só foto o grupo da viagem, guias, motorista, equipe da pousada. Tudo perfeito, povo acolhedor.

Chapada Diamantina

Deixamos em Lençóis a chuva que eles tanto aguardavam após quatro meses de seca. Trouxemos de lá, a alma recarregada para seguir 2017 com força total.

 

 

 

 

 

 

Sobre Eliza Hossell

Formada em Turismo e Administração, com MBA em Gestão Empresarial, trabalhou durante alguns anos com turismo, no setor público. Hoje trabalha na iniciativa privada, na área de comércio exterior. Foi escoteira por muitos anos e adorava acampar e os desafios de cada viagem. E o gosto por aventuras permaneceu desde essa época. Adora fotos, contato com a natureza, viajar, conhecer pessoas, novas culturas e tradições. E para distrair a mente escreve poesias.