Japaratinga cicloturismo

Cicloturismo no Nordeste: Por que conhecer o Litoral Pedalando?

Meus primeiros contatos com a ideia de cicloturismo foram através de um aluno que dividia suas experiências comigo. Contava a aventura de sair pedalando pelo Rio e eu ficava fascinada… ouvia as histórias como se a protagonista fosse eu.  Viajar de bicicleta se tornou um sonho, e fiquei muito tempo achando que não conseguiria realiza-lo.

Mas quando buscamos alguma coisa, tenho certeza que essa coisa também está nos buscando. Com o tempo, conheci alguns ciclistas que me apoiaram e me incentivaram. Comecei a dar forma ao projeto.

A sede e a determinação era tanta, que eu queria logo viajar pela costa do Brasil todo. Mas percebi que eu deveria começar pelo começo. E então, fui fazendo em partes. Existia uma coragem tão grande nascendo dentro de mim, que meu corpo interpretava isso como a capacidade de fazer qualquer coisa na minha vida. Acho que era, de fato, a liberdade! E então percebi que estava pronta para a aventura do cicloturismo!

De Pernambuco à Alagoas

Dei início à viagem com meu companheiro de aventuras pra um destino fascinante: o nordeste brasileiro. Nada poderia ser tão agradável quanto o ventinho aconchegante desse litoral.

 

 

 

Primeiro dia de cicloturismo: saindo de Recife com destino à Porto de Galinhas

Chegamos a Recife de avião com nossas bikes desmontadas e partimos para um hotel em Boa Viagem. Montamos as bikes e pernas na estrada!

Nosso primeiro destino foi Porto de Galinhas (PE). Fomos orientados a seguir pela rodovia pedagiada, o que nos foi muito útil. Pegamos boa parte do trecho com ciclovias bem cuidadas e paisagens encantadoras.

Recife à Porto de Galinhas

Após 5 horas, pausa para lanchar, tirar fotos e apreciar o destino. Chegamos em Porto de Galinhas loucos pelas praias e nos saciamos. Trata-se de um local bem simples, com praias magníficas!

porto de galinhas

portogalinhas

Recife – Porto de Galinhas (aproximadamente 60 km)

Segundo dia e os obstáculos adocicados do nosso cicloturismo

No dia seguinte, já preparados para seguir para Maragogi (AL), fomos a atração do hotel: muitos nos achando loucos, enquanto outros estavam encantados, desejando fazer o mesmo, pois viram que não é uma ideia impossível.

 

Despertar para um desafio pessoal – que no meu caso era o cicloturismo – por mais difícil que pareça, é uma atitude libertadora. É experimentando essa adrenalina que ganhamos consciência da nossa capacidade. E então, essa superação se torna um grande combustível para o autoconhecimento, que auxilia a autoestima.

A estrada Porto de Galinhas- Maragogi escolhida por nós foi a PE 060, não fomos pelo litoral. Pegamos muitos trechos sem acostamento e percebemos muitas canas caídas no chão. Um perigo para a bike, pois o pneu resvalava e corríamos o risco de cair.

 

 

Descobrimos o motivo de tanta cana caída: existe um caminhão chamado TREMINHÃO, uma espécie de caminhão que transporta cana acima da capacidade, deixando caírem pela estrada. Durante muitos trechos da estrada, só avistávamos canaviais e acampamentos para os cortadores de cana.

Nota: Não aconselhamos fazer essa parte da estrada pedalando devido aos riscos para os ciclistas.

 

Porto de Galinhas – Maragogi (aproximadamente 80 km)

Quando já havíamos pedalado 50 km, avistamos uma placa indicando Carneiros. Não pensamos duas vezes e decidimos conhecer a praia.

Mas… percorremos 19 km e nada de praia. Estranhamos não encontrar uma praça com uma igreja, como em toda cidade de interior.

O cansaço já nos tomava quando vi uma placa de entrada com o valor de R$ 50 o dia. Descobri que eram resorts à beira da praia que ofereciam todo o conforto e requinte do local: espreguiçadeiras, redes, cadeiras na beira do mar, duchas, e um restaurante maravilhoso.

 

carneiros

praia de carneiros

 

Parece que eles nos acharam! Atiramos no que vimos e acertamos no que não vimos: nós estávamos no Beijupirá, o melhor da região!  O local era tão agradável, que não queríamos ir embora. Mais uma vez fomos abordados por curiosos e ciclistas querendo saber de nossa aventura. Mas já era hora de continuar o percurso! Partimos para Maragogi no final da tarde e chegamos à noite.

Terceiro dia e os contrastes do nordeste brasileiro

No dia seguinte, saímos de Maragogi e fomos para São Miguel dos Milagres. Esse trecho da viagem foi bem pitoresco. Seguimos pela estrada e após 12 km, entramos num vilarejo chamado Japaratinga, com 10 km de paralelepípedo. Lembro até hoje como meu corpo sacudia.

cicloturismo

 

Japaratinga cicloturismo

Ao final, pegamos um barquinho a motor para atravessarmos o rio que nos levou à Porto de Pedra, um vilarejo simples, mas muito organizado. Lá se encontra a Praia do Pataxo, selvagem e deslumbrante.

Porto da Pedra

 

Praia do Pataxo

 

Mais uns km e chegamos à São Miguel dos Milagres.

 

Maragogi – São Miguel dos Milagres [passando por Japaratinga] (aproximadamente 70 km)

A cidade é muito precária, as pousadas bem simples, mas a praia é o céu na terra. O que pudemos perceber nessa comunidade é que tem tudo para ser um grande polo turístico, muitas terras, muitas frutas pela estrada, porém uma população muito carente.

São Miguel Milagres

 

Terceiro dia e os contrastes do nordeste brasileiro

 

Com tanto coqueiral, ali deveria ser o paraíso da cocada, e não vi ninguém vendendo absolutamente nenhum produto derivado do coco. Falta incentivo, curso profissionalizante, apoio dos órgãos locais. A vida por lá passa de forma lenta e as pessoas se conformam com o que tem por não haver estímulo. Tirando a questão social, o litoral é deslumbrante.

Quarto dia e despedida de São Miguel dos Milagres

Na manhã seguinte em São Miguel, antes de partirmos cedo, fomos passear de barco até as piscinas naturais.

piscinas naturais

São Miguel dos Milagres

Na volta, passamos na pousada para tomarmos banho, mas era dia de racionamento de água e não poderíamos nos lavar. E agora? Pedalar cheio de sal e ao sol seria loucura! Não hesitei, pedi para usar área do chuveiro, compramos uma bomba de 20 litros de água mineral e nos banhamos. Deixamos São Miguel e a Praia do Pataxo com aperto no coração e uma enorme vontade de voltar.

São Miguel

 

Pataxo cicloturismo

 

Na estrada paramos para muitas fotos, água de coco e conhecemos o Sr. Heleno que vendia passas de caju simplesmente divinas, degustamos os biscoitinhos de goma e fotografamos Japaratinga.

estrada

Ouso dizer que Japaratinga é mais interessante que Maragogi. Lá não tem o tumulto de turistas, tem piscinas naturais, passeios de barco, rede de pousadas com melhor preço e tranquilidade. Porém, nosso destino final era Maragogi. Chegamos à noite para descansar.

Chegando ao fim: o Nordeste é como um abraço apertado

No dia seguinte, partimos para Porto de Galinhas. Nesse dia, pedalamos com vento contra, o que tornou a viagem mais pesada, mas nada que não passasse após um bom mergulho em Maracaipe.

Pernoitamos em Porto e fomos visitar uma barraca de sucos feitos com água de côco. Deliciosos e refrescantes. Fizemos amizade com Felipe, dono da barraca ‘’NÃO ME POUPE SUCOS!’’. Ouvimos sua história de vida e nos demos conta de que muitas pessoas estão preferindo abrir mão de altos cargos e salários nos grandes centros por uma vida mais humilde e com qualidade. Felipe não foi o único que conheceremos com histórias semelhantes. Partimos de Porto de Galinhas com a promessa de voltarmos.

Não me poupe

 

Último dia: conhecendo Olinda

De volta à Recife, e no nosso último dia fomos à Olinda. Após muitas fotos, fomos presenteados com um grupo tocando frevo. Não há que não se encante com Pernambuco, sua gente calorosa, receptiva, cultura rica, culinária fantástica, e com um vento que não há como descrever. Só sentindo para entender a delícia que é.

Olinda

 

Fizemos um total de 380 km, muitas histórias, experiências, paisagens deslumbrantes e uma certeza: voltaremos! A experiência de cicloturismo foi muito enriquecedora e encorajo a todos para experimentar o gostinho da superação de limites. Ganhamos uma energia inesgotável de satisfação!

Fazer uma viagem pedalando é realmente uma aventura bem diferente e desafiadora. Mas foi uma experiência fascinante, principalmente pelas vistas incríveis que vivi, e senti todas elas como se fossem um pedacinho de mim. Praia com pôr do sol, frutas tropicais, a simpatia dos nordestinos e suas histórias, o silêncio das estradas… e aquele cansaço mais gratificante que existe: aquele que deixa gostinho de ‘’valeu a pena’’.
fugir da rotina

E aí, quem topa fugir da rotina?

 

Sobre Liniana Liao

Sócia Proprietária da empresa Liao Experience, professora de matemática, aposentada e aventureira de alma! Ama pesquisar novos roteiros para os lugares mais exóticos e surpreendentes. Está sempre em busca de um novo desafio para superar seus limites.
  • Samuel Kosminsky

    Gostaria de receber programação desse ano