Machu Picchu: os encantos da cidade perdida através da Trilha Inca

Enfim, chegou o momento tão esperado de se aventurar na Trilha Inca!

Depois de 3 dias conhecendo um pouco da cultura desse povo estávamos preparados para 4 dias de experiências incríveis na Trilha Inca!

1º Dia de Trilha Inca – Fácil

No  dia  marcado  para  iniciarmos  a  aventura,  o  Guia  nos  pegou  no  hotel  às  5:30h  da manhã, e fomos até Olamtaytambo, no Km 82 onde a Trilha se inicia. Já  podíamos  ter  noção  da  grandiosa  necessidade  de  logística  para  fazermos  a  trilha.

Além   do   guia,   muitos   homens   uniformizados   se   concentravam   no   local,   logo descobrimos que eram  os chamados Porteadores, carregadores que  levariam além de equipamentos  de  camping,  panelas  e  a  nossa  comida.  Partimos  todos  juntos,  porém, esses  Porteadores,  largaram  em  disparada.

A  princípio,  nossas  mochilas  pareciam leves.  Mas,  à  medida  que  subíamos,  parecia  que  o  peso  se  multiplicava.  Apesar  do peso  e  da  dificuldade  por  conta  da  altitude,  como  todos  do nosso  grupo  eram  cariocas,  a  piada  não  poderia  ser  esquecida.  O  Guia  chamava-se  Jaime,  mas  a  pronúncia  era  Raime,  não  levou  uma  hora  para  o  apelidarmos  de  Heineken.

As brincadeiras se  sucediam.  O  clima  amistoso  do  grupo  nos  ajudava  a  rirmos  de  nós mesmos  e seguirmos adiante.

Trilha Inca            Trilha Inca

Trilha Inca

Trilha Inca

 

Chegamos exaustos no acampamento de Hatunchaca que está a 2950m acima do nível do mar.

Nessa primeira parada para almoçar já nos deparamos com barraca de refeições montada, mesa posta e um menu que nos deixou boquiabertos.

Pensávamos que só teríamos  como  refeição  Miojo,  porém  fomos  surpreendidos  com  consommé,  prato principal, sobremesa e Coca Tea e isso se repetiu todos os dias.

 

Trilha Inca

Caminhamos   por   mais   4   horas   e   chegamos   ao   local   do   primeiro   pernoite   em Wayllabamba,  que  era  última  comunidade  que  encontraríamos.

A  partir  dali  seria apenas  trilha  e  mais  nenhuma  parada  para  comprarmos  alimentos  ou  água.  A  noite estava com céu limpo e a única luz que tínhamos era das estrelas.

Apesar do cansaço, foi  um  momento  mágico. Após  o  jantar  o  guia  nos  reuniu  para  um  briefing  sobre  a programação  do  dia  seguinte.  Disse-nos  que  seria  o  dia  mais  difícil,  mas  que  em contrapartida teríamos visuais incríveis.

2º Dia de Trilha Inca – Desafio

Fomos   despertados   às   5:00h   com   Coca   Tea   quentinho   e   tivemos   uma visão maravilhosa do Rio Vilcanota e do  impressionante Nevado Verônica a 5832m acima do nível  do  mar.

Seguimos   a  caminhar,  Raime,  ou  Heineken,  para  os  íntimos,  não  nos enganou,  nem  quanto  à  dificuldade,  nem  quanto  à  beleza  deslumbrante.  Iniciamos a subida  por  uma  trilha  estreita  e  próxima  a  alguns  precipícios  num  total  de  9  km.

Passamos por paisagens de Serra Puna (área seca e com pouca vegetação), por toda a extensão o  visual  era  de  pedras  encaixadas  umas  nas  outras  construídas  pelos  Incas.

 

Trilha Inca                              Trilha Inca

Experimentamos  várias  sensações  ao  longo  da  Trilha,  a  temperatura  e  o  clima  eram inconstantes.  Ora  morríamos  de  calor  devido  ao  esforço,  ora  de  frio.

Às  vezes  chovia, colocávamos a capa, minutos depois parava a chuva, tirávamos a capa e assim foi por toda a trilha.

Após  5  horas  de  caminhada  exaustiva,  chegamos  ao  Abra  de  Warmihuañuska,  (passo da Mulher Morta), a montanha mais alta da Trilha Inca a 3950m de altitude.

O tempo estava  fechado,  ventava  muito  e  o  frio  era  intenso,  por  isso,  não  conseguimos vislumbrar  a  paisagem  local.  Mas,  tenho  certeza  de  que  a  vista  é  belíssima,  os  vales, montanhas, vegetação, Cordilheira dos Andes, como não há de ser fantástico?

Trilha Inca

Nesse local, me senti numa Torre de Babel, havia estrangeiros do mundo todo, entre eles,  muitos  europeus.  Paramos  para  as  fotos  e  ao  abrimos  nossa  bandeira  do  Brasil, fomos  aplaudidos  por  todos  ali  em  volta,  sendo  congratulados  em  várias  línguas.   O sentimento de superação nos invadiu.

Por  fim,  descemos  por  muitas  escadas  ao  longo  de  6  horas  de  caminhada  para chegarmos  ao  acampamento.  Foram  aproximadamente  30  mil  degraus,  os  joelhos  já davam  sinal  de  esgotamento  e  no  final  desse  percurso,  como  já  era noite,  foram necessárias  lanternas  individuais  para  enxergarmos  o  caminho.

 

Trilha Inca

 

Às 19 horas,  enfim, chegamos ao  Vale  do  Pacaymayu,  a  3600m  de  altitude,  onde  pernoitamos.

Nossas barracas  eram  nossos  oásis,  os  sacos  de  dormir  nos  pareciam  nuvens,  tamanho  o cansaço que sentíamos e o conforto que nos proporcionava ao nos aquecer.

Quando jovem fiz um acampamento e detestei. Ao longo da vida, preferia a estadia em hotéis sofisticados onde teria mordomias e uma vida comum.

Jamais imaginei voltar a acampar e para minha surpresa, amei experimentar durante 4 dias viver a aventura, a incomunicabilidade  com  o  mundo,  a  conversa  com  meus  pensamentos  e  a vida simplista.

 

3º Dia de Trilha Inca – Inesquecível

Logo  cedo,  ao  abrirmos  a  barraca  nos  deparamos  com  lhamas  e  alpacas  no  camping. Corremos  para  tirar  fotos  e  ao  mesmo  tempo  ficamos  temerosos  em  levarmos cuspidas das lhamas. Naquele momento me senti uma Jovem Inca!  Saímos  às  6  horas  da  manhã  e  sabíamos  que  o  terceiro  dia  seria  mais  leve  apesar  da subida  com  mais  escadas.

Trilha Inca

Trilha Inca

 

Chegamos  ao  sítio  arqueológico  Abra  de  Runkurakay  a 3970m  de  altitude,  no  meio  da  manhã.  Este  sítio  trata-se  de  uma  estrutura  oval pequena que está constituída como uma atalaia  (torre de vigia).

Nesse ponto tinha-se uma vista mais ampla da trilha, que era utilizada pelos Incas com o objetivo de avistar a chegada de inimigos.

Descemos   até   Yanacocha   (Lagoa   Negra)   e   entramos   no   Bosque   nublado   para finalmente chegarmos a Sayacmarca (3624m de altitude). Um complexo lindo feito de uma  construção  semi-circular  com  diversos  níveis  de  ruas  estreitas,  de  fontes  litúrgicas, pátios e canais de irrigação.

Continuamos por uma subida fácil e passando por um túnel Inca chegamos ao terceiro ponto,  o  Abra  Phuyupamarca  (3700m  de  altitude).

Ao  longo  da  nossa  caminhada pudemos apreciar a magnitude da arte antiga dos incas e ver as rochas que chegaram ao   barranco   em   ordem   perfeita.

Este   é   um   dos   complexos   arqueológicos   mais completo   e   conservado,   se   encontra   no   ponto   mais   alto    dessa   montanha. Phuyupamarca  significa  “A  nuvem  sobre  a  Cidade”  de  onde  pudemos  observar  um sofisticado  complexo,  composto  das  fontes  de  águas  com  uma  fundação  sólida  e  com vistas impressionantes do Rio Urubamba.

Heineken,  a  essa  altura,  já  era  nosso  amigo,  parceiro  e  cuidador, e  em  alguns momentos voltávamos a ser criança. Ríamos das coisas mais prosaicas.

 

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Chegamos ao camping Wiñayhuayna para o almoço(2700m de altitude). Sítio arqueológico  que  segundo  Heineken  funcionava  como  local  de  descanso  para  os  Imperadores, com vista para a Cordilheira dos Andes. Wiñayhuayna significa Eternamente Jovem e foi exatamente assim que nos sentimos: jovens na alma.

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Após  várias  fotos  e  explicações,  o  guia  nos  organiza  em  círculo  e  nos saúda  dizendo que fomos vitoriosos, pois nós já com 40,  50, 60  anos conseguimos completar a trilha quando  muitos  desistiram  no  primeiro  dia.

E  então,  abre  a  sua  bolsa  e  saca  copos  e espumante  para  brindarmos  a  conquista  e  a  nossa  juventude!  Afinal,  chegar  aonde chegamos  e  passar  pelo  que  passamos  é  para  quem  tem  muita  disposição.

Sentimo-nos jovens, fortes e gratos por passarmos por tantas sensações e emoções distintas ao longo desses dias.

Machu Picchu

Eternamente Jovens

Em   nosso   último   pernoite   na   Trilha Inca,   mais   surpresas…

Após   o   jantar   somos surpreendidos  com  bolo  e  toda  a  equipe  da  trilha.  Guias,  Cozinheiro,  Porteadores, todos nos aplaudindo e agradecendo.

Nossos olhos marejados e o coração explodindo de gratidão. Éramos   nós   quem   deveríamos   estar   aplaudindo   a   equipe,   principalmente   os Porteadores, esses sim são os heróis da trilha.

Para cada trilheiro havia um Porteador, carregador  que  caminhava  pela  trilha  com  30  kg  de  carga,  em  média.  Essas  pessoas humildes  e  simpáticas nos  mostravam  o  quanto  somos  ricos,  e  o quanto  éramos fracos.  Cada  vez  que  um  ficava  cansado,  pensando  em  desistir,  ao  ver  um   Porteador passar mudava de opinião.

Após  as  comemorações  tivemos  um  briefing  rápido  e  fomos  informados  de  que acordaríamos às 3:30h pois teríamos que entrar no sítio arqueológico de Machu Picchu no horário abertura, às 05:30h.

4º Dia de Trilha Inca – Único

Acordamos, nos organizamos rápido sabendo que seria o último dia de nossa aventura. Um  misto  de  sentimentos  me  apertava  o  peito.  Saber  que  a  aventura  terminaria  me entristecia,  em  contrapartida  saber  que  chegaria  ao  destino  tão  ansiado  me  excitava.

Caminhamos  por  umas  duas  horas  até  chegarmos  à  Porta  do  Sol,  o  nome  se  dá  pois era através desse portal de pedras que o sol entrava na Cidade de Machu Picchu. Ao  chegarmos  à  Porta  do  Sol,  vendo  a  Cidade  Perdida,  choramos.

Um  choro  de felicidade,  um  sentimento  maravilhoso  de  conquista,  superação,  gratidão  a  todos  e  a Deus.

Machu Picchu

Machu Picchu

A  Cidade  Perdida  foi  descoberta  em  1911  pelo  norte-americano  Hiram  Bingham. Através de uma expedição, foi levado por um menino índio até a encosta da montanha onde  encontrou  uma  cidade  em  ruínas.  Segundo  historiadores,  Machu  Picchu  foi construída para facilitar a conquista da Amazônia pelos Incas. Foi abandonada quando os espanhóis invadiram o Peru.

Imagina o que é você chegar, através de um caminho  difícil, escolha essa que fizemos para  nos  reencontrarmos,  vivermos  a  aventura,  a  vida  simples,  e ao  concluir  a caminhada  você  encontrar  também  o  local  que  sonhou  conhecer  desde  o  dia  em  que se apaixonou por sua história, aos 14 anos de idade, através da sua Professora de História?

Era  tanta  alegria,  tanto  prazer,  tanta  descoberta,  cada  degrau  a  mais  que  subíamos  e ouvíamos a história da Civilização Inca, da Cidade, dos Templos, dos terraços irrigados para a agricultura, das torres de vigilância, ficávamos mais encantados com a cultura e o conhecimento de astronomia, arquitetura, matemática, entre outras ciências…

Nosso  Guia  estampava  em  seu  rosto  um  largo  sorriso  de  felicidade  e de  orgulho  da história de seu povo.

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Vivemos intensamente esses 4 dias, passamos por sentimentos e sensações extremas.  Cansaço,  desânimo,  felicidade,  gratidão,  momentos  em  que  sozinhos,  mesmo  com companhia  ao  lado,  caminhávamos  em  silêncio  devido  à  altitude.

Muitas  vezes ficamos conosco,  repensamos nossas vidas, escolhas, enfim…  Ficamos mais próximos, solidários  e  unidos.

A pessoa  que  começou  a  Trilha Inca  não  foi  mais  a  mesma  que terminou.

Se eu voltaria a fazer esse caminho? Quantas vezes fossem necessárias!

O Espírito Aventureiro é o que nos move!

 

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