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Peru: 3 dias conhecendo a cultura Inca

Desde adolescente eu sonhava em conhecer a cultura Inca. Nas aulas de história, ficava embevecida ouvindo a professora contar sobre a cultura, as cidades de pedras e seus conhecimentos científicos. Sempre me questionava como uma civilização tão antiga detinha conhecimentos que até hoje não conhecemos.

Como eles colocavam os blocos de pedra, sem os maquinários que temos hoje? Como conseguiam encaixá-los de forma tão precisa? Nada como um bom professor para te despertar o interesse!

Num domingo de agosto de 2015, caminhando com um grupo por uma trilha no Rio, começamos a falar sobre desejos de conhecer trilhas, locais exóticos e místicos. Foi então que chegamos à conclusão de que a Trilha Inca era anseio de quase todos os participantes.  Dessa forma, me prontifique a levantar custos e a viagem saiu do imaginário.

Foram oito meses aguardando nosso tão sonhado desafio.

Dia 1: adaptando-me à altitude e os primeiros contatos com a cultura Inca

Éramos 12 aventureiros e ao chegarmos ao Aeroporto de Cusco, percebemos que todos os turistas eram saudados com uma dose de Coca Tea. A altitude logo começou a dar sinal e, ciente da dificuldade de adaptação devido à altura, nos organizamos para permanecermos três dias apenas passeando, conhecendo a cultura e nos adaptando ao ar rarefeito. Pensei que não fosse sentir nada, já que faço atividades aeróbicas frequentemente, porém, fui a primeira a sentir dores de cabeça e enjoo.

Dia 2: primeiras percepções energéticas da cultura Inca

Passado o mal-estar do primeiro dia, fomos para um City Tour.

Na saída do hotel, já nos  deparamos  com  descendentes  de  Incas  e  suas  vestimentas.  Crianças  lindas, cabelos negros trançados, olhos negros, peles morenas, umas indiazinhas vestidas com seus  trajes  bordados  e  coloridos.  Os bebês  eram  encantadores  e  dava vontade  de colocá-los   no   colo   e   trazê-los   para   morar   conosco.   Ao   ouvirem   nosso   sotaque, prontamente  nos  reconheceram  brasileiros  e  passaram  a  chamar-nos  de  ”amigos brasileiros”.

É um povo  educado  e  muito  receptivo!

Desde jovens, algumas crianças de origem mais  humilde  trabalham  ao  lado  dos  seus  pais,  tirando fotos  em  troca  de gorjetas (lá eles usam a expressão propina para gorjeta), ou vendendo artesanato. Não vi uma única criança pedindo esmola.

 

Crianças

Cusco, chamado por eles de ”umbigo do mundo” é uma cidade linda, repleta de história, arquitetura colonial, museus, e muitas igrejas. A presença dos espanhóis e católicos é forte.

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A cultura Inca pelo City Tour

No City Tour, fomos visitar os sítios arqueológicos de Saqsaywaman, cidade onde vivia a elite  Inca,  o  poder  administrativo  e  os  políticos.  Começou a  ser  habitada  a  partir  de 1453. Apesar de sofrer dois terremotos, um em 1650 e outro em 1950, a cidade não foi totalmente destruída. Suas paredes construídas com blocos de pedra com mais de 600 quilos ainda permanecem intactas.

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Saindo  de  Saqsaywaman  fomos  visitar  as  Ruínas  de  Pisaq.  Seu  local  principal  é o templo  do  sol,  um  observatório.

O  local  também  era  usado  como cemitério  Inca,  os corpos  eram  colocados  em  posição  fetal  e  guardados  em  buracos  nas  paredes  da montanha, junto com seus pertences de valor.

Como  em  todo  sítio  arqueológico  Inca,  sentíamos  a  presença  de  algo  sobrenatural. Uma energia nos invadia e ao mesmo tempo nos desconcertava por não vermos nada, mas sentirmos tudo.

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Ainda  em  Pisaq, saímos  do  sítio  e  fomos  conhecer  o  processo  fabril  dos  agasalhos feitos  com  pelo  de  lhama  e  alpaca.  Aprendemos  a  diferença  entre  um  agasalho  feito com lã de lhama, alpaca, baby alpaca e carneiro.

Dia 3: Como vivem os povos dessa região?

No  terceiro  dia  de  viagem, fomos  à  Chinchero,  cidadela  que  se  localiza  na  parte  mais alta do Império Inca à aproximadamente 3772m  acima do nível do mar. Tivemos uma aula  sobre cores,  pigmentos  e  confecções  de  mantas  em  tear.

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Descobrimos  que  a polpa do cacto é um excelente detergente para lavar o pelo retirado das ovelhas, e que o pigmento vermelho é extraído do pulgão. Isso mesmo: pulgão! Um hospedeiro muito comum nos cactos.

As mulheres de Chinchero espremem o pulgão e extraem o líquido vermelho,  usando-o  inclusive  como  batom.  O  povo  dessa  região  ainda  fala  o  idioma quéchua, dos Incas.

Cultura inca

Ficamos deslumbrados com tudo o que vimos e vivenciamos! E, após esses 3 dias de exploração e conhecimento da cultura desse povo encantador, estávamos prontos para começar a nossa aventura na Trilha Inca!

Leia sobre a Trilha Inca no link: Machu Picchu: os encantos da cidade perdida através da Trilha Inca

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